Júlia das Dores da Silva Crespo

n: 21 Novembro 1827, f: 7 Janeiro 1910

  • Nota: Senhora um pouco esquecida ou quase desconhecida, nasceu em 21 de Novembro de 1827, na freguesia de Nossa Senhora do Pópulo, filha de pais incógnitos, ao que reza o assento de baptismo. O assento de óbitos regista que faleceu em Regueira de Pontes, a 7 de Janeiro de 1910, com 82 anos. A ela se deve boa parte da igreja de Regueira de Pontes e, em grande parte, o convento e igreja dos Franciscanos, à Portela, em Leiria.
    Aquele assento de óbito acrescenta uma nota singular: "filha natural, consta, do doutor médico João Francisco da Silva Crespo, natural deste lugar e freguesia [de Regueira de Pontes] e de mãe incógnita". O Dr. Luís Lourenço, no seu livro "Regueira de Pontes e as suas gentes" (Leiria: ed. do autor, 2007, p. 374B), escreve sobre João Francisco da Silva Crespo: "Foi este que trouxe de Caldas da Rainha D. Júlia das Dores da Silva Crespo, baptizada na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo." E acrescenta: "O Dr. João Francisco da Silva Crespo nasceu em 1795, pelo que teria, em 1810, apenas 15 anos, e faleceu em Agosto de 1836, com a idade de 41 anos, como aliás sempre ouvimos dizer, deixando a filha adoptiva, com a idade de 7 ou 8 anos, entregue às suas duas tias (…)." Fica, pois, em dúvida: se era "filha de pais incógnitos", como indica o assento de baptismo; se era "filha natural, consta, do doutor médico João Francisco da Silva Crespo", como se lê no assento de óbito (o mais verosímil); ou se era apenas "filha adoptiva"
    Seja como for, acrescenta o Dr. Luís Lourenço, "em Regueira de Pontes viveu com as duas tias, irmãs de seu pai, as quais lhe deixaram uma incalculável fortuna, que soube repartir pelos pobres e pela Igreja".
    Possuindo casa na cidade de Leiria, onde vivia esporadicamente, foi em Regueira de Pontes que passou a maior parte da sua vida, sempre solteira, e onde construiu uma grande mansão e cómodos agrícolas e pecuários de dimensão equivalente.

    Teve um papel crucial no acabamento e decoração da igreja de Regueira de Pontes. Na 2.ª edição do Couseiro, de 1898 (transcrição Textiverso, 2011, p. 190), pode ler-se o seguinte: "No dia 24 de Dezembro último, tinha falecido o membro da irmandade Crespos, e nele mesmo toda a colossal fortuna dessa opulenta família veio ter, por herança, às mãos e domínio da sr.ª D. Júlia das Dores da Silva Crespo, vizinha dessa igreja (…). Essa sr.ª D. Júlia manifesta a sua piedade, prontificando o seu dinheiro [para as obras da igreja] (…)." E lê-se mais: "Ora, agora a torre do sul já existia, bem como o frontispício, e a outra já estava edificada até ao beirado (tendo porém agora, nos dizem, recebido por dentro paredes de reforço), sendo só agora acabada. Porém, tudo mais que a igreja oferece à vista por dentro, ou seja, de madeira, como altares (5), gradinhas, portas, soalhos, lajeamentos (que não são de madeira), seja de gesso, como o tecto e suas colunas fingidas, sejam pinturas a óleo, ou objectos dourados, como esse altar-mor, etc., são obras de agora, bem como dois sinos e relógio, a que acrescentamos algumas alfaias de prata e esses paramentos; tudo pago à custa dessa Senhora e sem contar as madeiras vindas dos seus pinhais." Estamos na década de 80 do século XIX, e quando se perguntou a D. Júlia qual a quantia de dinheiro que então gastou com a igreja, "passados dias respondeu que, se não chegou a 11 contos de réis, pouco lhe faltou!! É que essa senhora, propondo-se a revestir a sua igreja, não o fez com esse grosseiro e escasso fim com que se socorre a donzela pobre; revestiu-a de sobejas sedas e carregou-a de galas e jóias, e por isso com magnificência, como se fosse uma rainha pronta a aparecer ao público".
    Na parede exterior da igreja está uma lápide com um texto em latim que significa o seguinte, segundo o Couseiro: "Tendo a sr.ª D. Júlia das Dores da Silva Crespo sido tão benéfica para com este templo, que, achando-se ele já mal seguro em razão da sua muita idade (67), reparou-o, e com vantagem para ele, à sua custa, depois o embelezou e com esplendor, dotou-o de três imagens e várias alfaias (68); das suas duas torres, uma edificou-a desde os alicerces, e outra, acabou (69), dotando-as de dois sinos novos e um relógio; o povo desta freguesia, em agradecimento à mesma sr.ª por tudo isto, colocou aqui este monumento aos 7 de Julho de 1880 (70)." Nas notas pode ler-se o seguinte: (67)- A igreja estava muito segura ainda. (68)- Faltam os ricos paramentos. (69)- Não edificou nenhuma mas, uma, só a acabou e lhe fez o que já disse. (70)- Nesse dia 7, as imagens, depois de benzidas na capela dessa senhora, vieram em procissão para a igreja, e também se benzeram os sinos. Seguiu-se a missa cantada a música e Te Deum e em tudo oficiou a mesma autoridade eclesiástica, Dr. António Ferreira Miranda, que tanto tinha de sábio como de ilustrado; depois do que ela (a senhora) ofereceu lauto jantar às pessoas das suas relações e a todo o clérigo que tinha concorrido à igreja, para a qual tinha mandado convidar a todos das freguesias circunvizinhas. À noite houve variadíssimo fogo preso e música."

    Mas D. Júlia Crespo teve ainda um papel importante noutra construção de carácter religioso - a igreja e convento da Portela, em Leiria. Lê-se também, transcrito, no livro de Luís Lourenço: "Com desvelada consideração pelos Franciscanos, presentes em Leiria desde as primeiras décadas do século XIII, vendo as precárias condições em que viviam na cidade e se achava, já então, a Igreja e respectivo antigo Convento, adquiriu o terreno, onde, à Portela, os invasores franceses haviam causado horrível mortandade entre os rapazes e homens da cidade que os enfrentaram no ano de 1808. // D. Júlia das Dores da Silva Crespo adquiriu-o e, sobre ele, fez erguer o actual convento e Igreja, numa colaboração valiosíssima, iniciando-se os caboucos em 17 de Novembro de 1902 e lançando-se a primeira pedra no dia 26 de Fevereiro do ano seguinte. // Não se concluiu, então toda a obra, porque os Franciscanos foram expulsos de Portugal em 1910, com a implantação da República. A morte desta benfeitora impediu, temos ouvido dizer, a construção da torre frontal, mas o lindo e artístico tecto, em madeira de riga, único no nosso país, assinala ainda a sua generosidade entre nós, sem a qual os Franciscanos talvez não tivessem podido regressar ao meio leiriense para continuarem a sua prestimosa actividade (…)"
    Note-se que, no portão de ferro forjado que dá acesso à igreja da Portela, se encontra o monograma JC, que nem toda a gente identifica, julgando talvez que se trata de uma alusão a Jesus Cristo. Na verdade, ele significa "Júlia Crespo" e regista a acção beneficente de uma senhora que, não tendo chegado à República nem à restauração do Bispado, deixou para os vindouros pelo menos duas obras de vulto, em Regueira de Pontes e em Leiria, que deixaram o Bispado e os seus fregueses mais ricos em termos patrimoniais.
  • Nascimento: 21 Novembro 1827; Caldas da Rainha, Caldas da Rainha
  • Baptism: 28 Novembro 1827; Caldas da Rainha, Caldas da Rainha
  • Nota: 1835; por ter morrido o seu pai ficou entregue aos cuidados das suas duas tias Ana Joaquina e maria Inácia. (consequentemente está errado o que afirma Gil Martins, m 1992 no Jornal de Leiria))
  • Falecimento: 7 Janeiro 1910; Regueira de Pontes, Regueira de Pontes, Leiria
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Luisa Henriqueta Crespo

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Cap. de fragata Lúcio Albino Pereira Crespo

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Ten. Cor. Manuel António da Silva Crespo

f: 3 Março 1849
  • Nota: Ten cor das milicias de Leiria e morador em Regueira de Pontes
  • Nota: 15 Junho 1828; por decreto nº 106 do Conselho de Guerra foi nomeado Ten Cor no Regimento das Milícias de Leiria sendo capitão.1
  • Nota: 9 Janeiro 1831; por decreto nº 4 do Conselho de Guerra foi reformado "em conformidade com a lei", do posto de Ten Cor1
  • Nota: Foi várias vezes vereador da Câmara Municipal de Leiria. Fez parte, já depois de reformado das Milícias, do Estado Maior do Batalão da Guarda Nacional de Leiria composto por ele, Major Carlos de Sousa, ajudantes António Maria da Costa Guerra e José Maria Lúcio de Oliveira sendo porta bandeira José Maria Afonso.

    Consta da Lista de Antiguidades dos Oficiais, Porta-bandeiras e Sargentos, do ano de 1825, com a cota PT/AHM/3/37/32/9 e da Relação dos Oficiais propostos para provimento de postos vagos, do ano 1828, com a cota PT/AHM/3/37/35/5. Consta igualmente da Lista Militar dos Oficiais do Exército de Portugal de 1830, pág. 183.

    Aparece inscrito na Confraria das Almas e do Santíssimo Sacramento de Regueira de pontes, como seu irmão António Manuel.2
  • Falecimento: 3 Março 1849; Regueira de Pontes, Regueira de Pontes, Leiria; ( ADLeiria, Leiria, Regueira de Pontes, Óbitos, Liv 1776-1851, fl...)
    Pelo juizo de direito dessa comarca de Leiria e cartório de Roberto Dias, correm éditos de 30 dias a requerimento do dr António Manuel da Silva Crespo, e suas irmãs D. Ana Joaquina da Silva Crespo e de D. Maria Inácia da Silva Crespo, do lugar e freguesia de Rigueira de Pontes, julgado de Leiria, para se habilitarem como únicos e universais herdeiros de seu defundo irmão, Manuel António da Silva Crespo do mesmo lugar para receberem do tezoiro publico, pelo ministerio da fazenda 24$260 rs que lhe mandam pagar segundo uma cautela, que tem o nº 335 lº, 2º. R. todas as pessoas que tiverem a apôr-se à mencionada habilitação o deverão fazer no dito prazo, com pena de lançamento e de suas revelias se kulgarem habilitados os abilitantes. (Leiriense nº 101 de 20.6.1855)

Familia:

Citações

  1. Cor H. Madureira dos Santos Catalogo dos Decretos do extinto Conselho de Guerra - na parte não publicada pelo Gen Cláudio de Chaby -, Arquivo Histórico Militar, (1964).
  2. Cabral. João Anais do Município de Leiria, Camara Municipal de Leiria, n.p., 2ª ed. (1993) 972-8043-10-4 "Vol I , pag 185."
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Maria Custódia Crespo

f: 1857
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Maria da Encarnação Guilhermina Crespo

n: 9 Novembro 1803, f: 13 Abril 1870

Familia: Comendador Francisco Taibner de Morais n: 1800, f: 7 Ago 1867

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Maria Emilia dos Santos Veloso e Crespo

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Dr.ª Maria Fernanda Trigueiros dos Santos Crespo

n: 1928
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Maria Henriqueta Archer Crespo

Familia: Alfredo Junqueira de Figueiredo

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Maria Inácia da Silva Crespo

n: 1792, f: 24 Setembro 1869
  • Nascimento: 1792; faleceu com 77 anos
  • Nota: 1869; Quando da celebração de escritura de reconhecimento de um foro em Ataíja de Cima, a 5 de fevereiro de 1869, já compareceu como herdeiras de seu irmão António Manuel, ja falecido as sua irmãs Ana Joaquina e Maria Inácia ( doc elaborado no notário Libório de Alcobaça)
  • Falecimento: 24 Setembro 1869
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Maria Susana de Melo Cabral Trigueiros Crespo

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Maria Teresa de Melo Cabral Trigueiros Crespo

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Miguel João Crespo

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Tiago Monteiro Crespo

n: 23 Março 2011
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Venâncio Faustino dos Santos Crespo1

n: 1845, f: 1876
  • Casamento: Casado(a) com=Carolina Porfíria das Dores Leitão
  • Nascimento: 1845; Por ter morrido com 31 anos!
  • Nota: 22 Setembro 1873; Referido no ato notarial de José Avelini Coelho do Vale, de Leiria, liv 24 (1873-1874) - ADLeiria, V-63-A- 15, de 22.9.1873.
  • Falecimento: 1876; Morre de febre amarela (ver Glbo do Rio de Janeiro de 1876), com 31 anos

Citações

  1. Alda Mourão Filipe A construção de uma elite local na segunda metade do sec. iX: o percurso da familia Leitão em Leiria, UCP - Revista Gestão e Desenvolvimento nº 8, Coimbra, 1ª ed (1999).
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Alm. Victor Manuel Trigueiros Crespo

n: 21 Março 1932, f: 17 Dezembro 2014
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Cónego Dr. Luciano Cristino

n: 26 Setembro 1938
  • Nota: o cónego Luciano Cristino frequentou o Seminário Diocesano de Leiria, onde fez os estudos secundários, filosóficos e teológicos, que completou em 1962, tendo sido ordenado sacerdote a 15 de Agosto de 1962.

    No mesmo ano de 1962, iniciou os estudos superiores na Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, onde se licenciou em Teologia Dogmática, em 1964, e em História Eclesiástica, em 1967.

    Tendo regressado a Portugal, foi nomeado professor no Seminário Diocesano de Leiria, onde leccionou cadeiras das áreas da teologia e da história. Desde 1970 a 1981, foi também professor no Instituto Superior de Estudos Teológicos, de Coimbra. Licenciou-se em História na Universidade de Coimbra, em 1975, e fez o curso de bibliotecário-arquivista, em 1976-1977.

    Desde 1974, é capelão do Santuário de Fátima e, desde 1976, director do Serviço de Estudos e Difusão (SESDI) do mesmo Santuário, tendo como principal actividade a preparação da edição da Documentação Crítica de Fátima (DCF).

    Foi nomeado cónego capitular da Sé de Leiria em 1988.

    Leccionou no Pólo de Leiria da Universidade Católica Portuguesa e na Escola de Formação Teológica de Leigos de Leiria.

    Além das suas actividades pastorais e de ensino, tem-se dedicado à investigação histórica regional, principalmente da diocese, tendo publicado algumas dezenas de estudos, dos quais cerca de trinta são sobre Ourém e o seu concelho, nomeadamente sobre a Colegiada de Santa Maria, e sobre Fátima.

    O cónego Luciano Cristino é membro da Pontifícia Academia Mariana Internacional de Roma.
  • Nascimento: 26 Setembro 1938; Maceira, Maceirinha, Leiria
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Aduindo Manuel Garcia da Cruz Dias

n: 21 Março 1966
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Catarina da Cruz

Familia: José Pereira

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Eduardo Martins da Cruz

n: 8 Março 1856, f: 5 Fevereiro 1927
  • Nascimento: 8 Março 1856
  • Falecimento: 5 Fevereiro 1927; Leiria

Familia: Evandra [...]

  • Ester Martins Zúquete, c. g., n: 5 Dez 1889, f: 9 Jan 1945; Perfilhou Ester por escritura p+ublica de 5 8 1911
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